
Sábado, Outubro 18, 2008

Senti a tua falta nos meus sonhos.
Vultos de volúpia á meia-luz, senti a tua ausência em cada gesto desalinhado em busca do meu corpo.
Sinto a tua falta agora, rodando o vinho tinto no balão...
A luz das velas reflecte-se na janela e está escuro... é noite dentro de mim!
Nocturnas de Chopin e a minha alma incendeia, inflama o desejo embriagado, inebriado de ti.
Quero-te agora!
Silêncioso e quente colado á minha pele... num doce balanço ao contrário do relógio, que faça o tempo parar... flutuar no ínfimo instante em que o limite dos nossos corpos é a ténue linha entre o céu e o mar.
Quinta-feira, Junho 12, 2008
Terça-feira, Maio 27, 2008
Árvore

Os dias passam paulatinos
Num mutismo estridente que roça a loucura.
Num mutismo estridente que roça a loucura.
Soturna árvore morre de pé,
Impávida e serena como quem não quer saber.
Soltam-se memórias,
Manuscritos de sonhos, rascunhos de amor,
Folhas caídas nos primeiros ventos de Outono.
Uma existência cheia de nada,
Rumo a lugar nenhum
Incapaz de compreender,
Impossível de ser compreendida.
Raízes pesadas como âncoras
Impedindo a toma das marés…
De olhos postos no infinito
E a terra escura engolindo-lhe os pés!
Lavínia Matos
Nocturna

A noite cai sobre mim como um castelo de areia
Construído á revelia das ondas.
Tacteio sombras, vultos de fantasmas na agonia dos sentidos
Trôpego cavalgar pelas horas
De um tempo que não acaba
Construído á revelia das ondas.
Tacteio sombras, vultos de fantasmas na agonia dos sentidos
Trôpego cavalgar pelas horas
De um tempo que não acaba
Deixem-me ficar aqui
Não me peçam nada
Que tudo em mim é vazio e até o mar se esgotou
Ouve os sinos que dobram por mim
Dolentes acordes em sentido pranto,
Um badalar soturno. Vogando no jardim
Gracioso cisne em seu derradeiro canto.
Lavínia Matos
Segunda-feira, Março 24, 2008
Quando uma mulher é uma ilha
Quando uma mulher é uma ilhaE o seu ventre porto de abrigo,
O olhar é um farol
Repousando sobre o mar
Na solidão das noites estreladas
Quando uma mulher é uma ilha
O sol afaga o seu corpo dolente
Como lábios que beijassem…
Voluptuosa cratera
De um vulcão ardente.
Quando uma mulher é uma ilha
E a névoa a envolve
Como asas de anjo
Esquecidas pelo vento Norte
Dedilhando a pele,
Mordendo os sentidos
Arfando,
Lábios entreabertos
Soltos num gemido
Quando uma mulher é uma ilha
É terra sagrada
E de sonhos nascida.
Lançada âncora
Cravada em seu destino,
Jorra do seio a Verdade e a Vida.
Mulher Mãe
Roçando o divino!
Quando uma mulher é uma ilha
O seu corpo é a tua casa.
Lavínia Matos
Fragmentos
Pedaços partidos de risos felizes espalham-se pelo chão e a ausência corta-me ao tentar juntá-los.
Era uma vez (?) ... um vazio.
Era uma vez um livro feito de nada, tão cheio de mim.
Há muito, muito tempo, num tempo que de tão longínquo desvanece a memória e dilui a vida como a uma gota de tinta num oceano.
Esse tempo onde nasci e fui mulher.
Era uma vez uma mulher…
Era uma vez um livro feito de nada, tão cheio de mim.
Há muito, muito tempo, num tempo que de tão longínquo desvanece a memória e dilui a vida como a uma gota de tinta num oceano.
Esse tempo onde nasci e fui mulher.
Era uma vez uma mulher…
Quarta-feira, Março 05, 2008
A minha ilha é Mulher!
Deitada no horizonte de silhueta sensual,
Desenham-se subtis formas de mulher
Cabelos de nuvem soltos em vendaval
Terramoto murmurado nas paredes a ranger!
Montanha de seiva a palpitar por árvores esguias
Agitando em seu ventre mil hortênsias a florir
Vestido bordado a basalto negro e cantarias
Senhora de um destino de veleiros a partir
Samacaio, Chamarrita, Sapateia
Pele salgada e olhos de luar
Alma da Gente, corpo de sereia…
Metade Ilha! Metade Mar!
Desenham-se subtis formas de mulher
Cabelos de nuvem soltos em vendaval
Terramoto murmurado nas paredes a ranger!
Montanha de seiva a palpitar por árvores esguias
Agitando em seu ventre mil hortênsias a florir
Vestido bordado a basalto negro e cantarias
Senhora de um destino de veleiros a partir
Samacaio, Chamarrita, Sapateia
Pele salgada e olhos de luar
Alma da Gente, corpo de sereia…
Metade Ilha! Metade Mar!

Como se tudo não passasse de um Outono
Um restolhar de folhas soltas como memórias…
Indizível cansaço…
Sinto-me assim, um nevoeiro
A pairar sobre um jardim desvanecido
Soturna e sombria em tardes de chuva
De braços esguios erguidos ao céu
Como um velho castanheiro despido e exausto
Á espera da Primavera.
Um restolhar de folhas soltas como memórias…
Indizível cansaço…
Sinto-me assim, um nevoeiro
A pairar sobre um jardim desvanecido
Soturna e sombria em tardes de chuva
De braços esguios erguidos ao céu
Como um velho castanheiro despido e exausto
Á espera da Primavera.
Lavínia Matos
Quinta-feira, Novembro 15, 2007

Tudo cai em derrocada
Como um frágil castelo de cartas!
Estou destroçada como um velho navio à deriva na tempestade.
É tempo de esperar...
Esperar pelas noites, esperar pelos dias...
Horas infinitas que tardam e se arrastam
Como quem não sabe o que fazer, ou para onde ir.
Fico por aqui a olhar o vago,
Algures entre o silêncio e a loucura!
Como um frágil castelo de cartas!
Estou destroçada como um velho navio à deriva na tempestade.
É tempo de esperar...
Esperar pelas noites, esperar pelos dias...
Horas infinitas que tardam e se arrastam
Como quem não sabe o que fazer, ou para onde ir.
Fico por aqui a olhar o vago,
Algures entre o silêncio e a loucura!




