Junho 11, 2010

Depois de tudo

A espera é vã

Quando nas mãos encerrei os sentidos

Em malabarismos sublimes

Mantive cativa a essência

E o teu corpo

Soberbo

Desalinhado em sobressalto

Entre abismos e montanhas

Engolindo o meu sem a ilusão de amanhã

Se tudo foi meu preterindo deus

Escapando-me só a eternidade

Que esperar agora

Que o mundo é uma janela aberta para lugar nenhum

Sirva-me morte

Junho 08, 2010

Poente

Em ti há um sol que nasce
Alvorada da minha alma adormecida
Há uma ilha e um mar imenso
Depois
São os teus olhos
Perdidos
Estrelas que fitam o universo
E há o mapa e o labirinto interminável
A porta entreaberta
Vislumbres subtis do Éden
Quimérico intangível
Nas tuas mãos
Poente
Pé ante pé
Ofereces-me a noite

Abril 10, 2010

Perdoa-me por não teres morrido nos meus braços

Perdoa-me por não teres morrido nos meus braços

Quando eu renasci tantas vezes nos teus

Meu farol que procurei em noites de tempestade

E porto de abrigo de onde zarpei sempre na bonança

Perdoa-me por não ter-te dito adeus

Quando me esperaste tantas noites

Na solidão de um amor que não querias sentir

Perdoa-me pelas juras desfiadas como rezas

Em madrugadas de delírio e embriaguez

Trago-te comigo na metafísica dos sentidos

Doce quimera da minha alma

Março 25, 2010

Fantasmas

Há um lugar onde me escondo, encoberta por uma fina camada de tempo.
Há dias em que não sei sair.

Às vezes desfaz-se o silêncio, dobro-me mais sobre os joelhos, fecho os olhos para não ver - não sei se lá estiveram - nunca quero olhar, mas oiço… oiço rondar em passos leves, oiço-os viver dentro de mim.

Março 15, 2010

Búzio Cheio de Mar

Ontem e hoje confundem-se num gigantesco labirinto
Sem avanços ou recuos
Sem horizontes
O mesmo poço sem fundo de onde a minha alma ecoa
O mesmo marulhar de sempre
Um búzio cheio de mar em que não encontro um navio

Outubro 18, 2008


Senti a tua falta nos meus sonhos.

Vultos de volúpia á meia-luz, senti a tua ausência em cada gesto desalinhado em busca do meu corpo.


Sinto a tua falta agora, rodando o vinho tinto no balão...

A luz das velas reflecte-se na janela e está escuro... é noite dentro de mim!


Nocturnas de Chopin e a minha alma incendeia, inflama o desejo embriagado, inebriado de ti.

Quero-te agora!

Silêncioso e quente colado á minha pele... num doce balanço ao contrário do relógio, que faça o tempo parar... flutuar no ínfimo instante em que o limite dos nossos corpos é a ténue linha entre o céu e o mar.

Junho 12, 2008

Morte


Escuridão e silêncio…
Lúgubre adormecer pálido e sereno
Mãos brancas postas em cruz
Um corpo vestido de abandono e nostalgia
Á luz de velas e incertezas
Um enxugar de dores, desfiar de rezas
Apodrecer medonho na solidão da terra fria.



Lavínia Matos